Redação De Porta para DentroAlterações no ciclo, sintomas relacionados à queda hormonal e dificuldade para engravidar; médica explica por que menstruar regularmente não indica como está a reserva de óvulos.
Menstruar todos os meses pode transmitir a sensação de que está tudo bem com a saúde reprodutiva. O ciclo menstrual fornece uma informação sobre a atividade dos ovários, enquanto a avaliação da reserva ovariana depende de outros fatores. Mudanças persistentes na menstruação, sintomas relacionados à queda hormonal e dificuldade para engravidar estão entre os sinais que merecem atenção antes dos 40 anos.
“A mulher pode menstruar regularmente e já ter uma reserva ovariana reduzida. A menstruação mostra que existe atividade do ovário, mas não nos diz quantos óvulos ainda estão disponíveis”, explica a Dra. Claudia Padilla, médica especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva.
Uma das condições investigadas diante desses sinais é a insuficiência ovariana prematura, conhecida pela sigla IOP, que afeta cerca de 1% das mulheres antes dos 40 anos. Nesses casos, a atividade dos ovários pode ocorrer de forma irregular, com períodos sem ovulação e outros em que ela volta a acontecer.
“Na menopausa, a atividade dos ovários terminou. Na insuficiência ovariana, o ovário pode funcionar de maneira irregular, passar um período sem funcionar e depois voltar a ovular, por exemplo. Por isso, algumas mulheres ainda menstruam e, mais raramente, podem até engravidar espontaneamente”, explica a especialista.
Uma das principais pistas pode aparecer na própria menstruação. Ciclos antes regulares podem começar a ficar mais espaçados ou pular alguns meses. Em alguns casos, a menstruação pode parar. Quando essas mudanças persistem, é importante investigar a causa.
As alterações podem ser sutis no início e acabar atribuídas ao estresse ou a mudanças na rotina. Por isso, observar o padrão habitual do ciclo ajuda a identificar mudanças que devem ser levadas à consulta.
“E é justamente aí que vem a surpresa. Muitas chegam ao consultório porque decidiram engravidar e descobrem durante a investigação que a função dos ovários já está reduzida. Por isso, uma mudança persistente no padrão menstrual, principalmente em uma mulher jovem, merece ser investigada”, afirma a Dra. Claudia Padilla.
A redução da atividade ovariana pode vir acompanhada de sintomas relacionados às alterações hormonais. Ondas de calor e dificuldade para dormir podem aparecer, assim como ressecamento vaginal e alterações de humor.
A intensidade varia de mulher para mulher. “Algumas apresentam sinais discretos, enquanto outras praticamente não percebem mudanças. A avaliação considera essas manifestações em conjunto com o ciclo menstrual, o histórico clínico e os planos reprodutivos”, diz a médica da Huntington.
Para algumas mulheres, a dificuldade para engravidar é o motivo que leva à investigação da função ovariana. Na insuficiência prematura, a ovulação tende a ocorrer com menor frequência e pode se tornar imprevisível, o que reduz as chances de gravidez.
A avaliação médica ajuda a verificar se ainda existe atividade ovariana e quais possibilidades podem ser consideradas de acordo com a idade e o desejo reprodutivo. “Em algumas situações, podemos recorrer à fertilização in vitro. Quando já não conseguimos obter óvulos próprios, existe a possibilidade da ovodoação, que hoje oferece excelentes chances de gravidez”, explica a especialista.
O hormônio anti-mülleriano, conhecido como AMH, é um dos exames utilizados para estimar a reserva ovariana. O resultado ajuda a avaliar a quantidade de óvulos disponíveis nos ovários e precisa ser interpretado junto a outras informações clínicas. Um resultado baixo indica reserva ovariana reduzida. Contudo, sozinho, o AMH não permite diagnosticar insuficiência ovariana prematura nem determinar a possibilidade de uma gravidez espontânea.
“O AMH nos ajuda a estimar a quantidade de óvulos disponíveis, mas precisa ser analisado junto com outras informações. Ele também não consegue prever se aquela mulher vai engravidar espontaneamente”, reforça a Dra. Claudia.
A idade também entra nessa avaliação porque está relacionada à qualidade dos óvulos. “A reserva ovariana nos dá informações sobre a quantidade de óvulos. A qualidade está muito ligada à idade da mulher. Precisamos avaliar essas duas informações em conjunto”, explica.
O histórico de saúde também entra na avaliação da função ovariana. Casos de insuficiência ovariana prematura na família e tratamentos capazes de afetar os ovários, como quimioterapia e radioterapia, são informações importantes durante a consulta.
Cirurgias envolvendo os ovários podem estar relacionadas à redução da função ovariana, assim como algumas condições genéticas ou autoimunes. Em muitos casos de IOP, a causa permanece sem identificação.
“Se a mulher percebe mudanças no ciclo, vale investigar. Para quem deseja engravidar, essa avaliação ajuda a entender como está a função dos ovários e quais possibilidades reprodutivas podem ser consideradas”, conclui a Dra. Claudia Padilla.
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09/10/2026

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09/10/2026